Poema de Laurindo Rabelo - A Morte é Dura
Postado por José Guimarães | Postado em Poesias | Postado dia 08-05-2012
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Laurindo José da Silva Rabelo nasceu no Rio de Janeiro, em 1836. Formou-se em medicina. Serviu como cirurgião do exército e foi professor de Gramática, Geografia e História, na escola militar.
Passou por muitas dificuldades na vida. Vivia assim numa penúria e teve grandes amarguras pela perda de parentes e amigos que amava.
Algumas de suas poesias mostram notas melancólicas. Mas também em outras fases do seu talento, mostram maneiras satíricas. Motivo pelo qual muitas malquerenças surgiram em torno do nome dele.
Vamos então a nossa poesia:
A Morte é Dura
Porém, longe da pátria é dupla a morte
Desgraçado do mísero que expira
Longe dos seus, que molha a língua, seca
Pelo fogo da febre, em caldo estranho;
Que vigílias de amor não tem consigo,
Nem palavras amigas que lhe adocem
O tédio dos remédios, nem um seio,
Um seio palpitante de cuidados,
Onde descanse a lânguida cabeça!
Feliz, feliz aquele a quem não cercam,
Nesse momento acerbo, indiferentes
Olhos sem pranto; que na mão gelada
Sente a macia destra da amizade
Num aperto de dor prender-lhe a vida!
Feliz o que, no arfar da ânsia extrema
De desvelada irmã piedoso lenço,
Úmido de saudades, vem limpar-lhe
As frias bagas dos finais suores!
Feliz o que repete a extrema prece,
Ensinada por ela e beijar pôde
O lenho do Senhor nas mãos maternas!
Engraçado de mim!… Talvez bem cedo,
Longe de mãe, de irmãos, longe da pátria
Tenha de me finar… Ramo perdido
Do tronco que o gerou, e arremessado
Por mão de gênio mau é plaga alheia,
Mirrarei esquecido! Os céus o querem;
Os céus são imutáveis; aos decretos
Do Senhor curvarei a fronte humilde,
Como cristão que sou. Eternidade,
Recebe-me a teu bordo!… Adeus, ó mundo!
Já sinto da geada dos sepulcros
O pavoroso frio enregelar-me…
A campa vejo aberta e lá do fundo
Um esqueleto em pé vejo a acenar-me…
Entremos. Deve haver nestes lugares
Mudança grave na mundana sorte;
Quem sempre a morte achou no lar da vida,
Deve a vida encontrar no lar da morte,
Laurindo Rabelo faleceu no Rio de Janeiro, no ano de 1964.
Poesia: A Morte é Dura
Autor: Laurindo José da Silva Rabelo












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